Entre as lembranças mais marcantes da minha juventude estão as experiências em Alcatrazes. Em uma dessas ocasiões, encontrei minas explosivas flutuantes, aparentemente amarradas por correntes ao fundo do mar. Foi uma cena que ficou gravada na minha memória e que faz parte das histórias que carrego daquele período.
Naquela época, conheci ou convivi com nomes lembrados por quem frequentava o universo do mergulho e da navegação no litoral paulista, como Mané, da Ilhasub; Chico, do Capello Gaivota; Major Adilson; Beto Ziquezira; e tantos outros.
Eram pessoas unidas pela paixão pelo mar, pela pesca, pelo mergulho e pela exploração de lugares que guardavam histórias e belezas pouco conhecidas.
Essas experiências me ensinaram a olhar para o oceano de uma maneira diferente. Para mim, o mar nunca foi apenas uma paisagem: sempre foi um espaço de descobertas, aprendizado, histórias e respeito.
Minhas primeiras lembranças de Ilhabela
Na década de 1970, eu me hospedava com minha família na primeira casa da Praia Grande, ao lado da antiga escolinha, em frente à igreja, onde hoje funciona o Hotel Velinn. Também ficava na casa ao lado da igreja da Praia do Portinho.
Conheci uma Ilhabela de outros tempos, quando as praias, os caminhos e a convivência com a natureza faziam parte de uma experiência muito diferente da que muitos visitantes encontram hoje.
Também acampei no Camping Porto Seguro, na Praia Grande, e no camping do Badito, no Curral. São lembranças que guardo com carinho e que fazem parte da minha ligação afetiva com a ilha.
Ao longo dos anos, estudei, viajei, casei, constituí família e vivi diferentes fases da vida. Minha trajetória profissional seguiu caminhos próprios, principalmente na fotografia, mas Ilhabela nunca deixou de fazer parte da minha história.
O reencontro com Ilhabela e as comunidades caiçaras
Em 2021, voltei a me aproximar intensamente da ilha e comecei uma nova etapa de convivência com suas comunidades tradicionais.
Minha relação com Castelhanos também se fortaleceu por meio do trabalho que realizei no último Censo do IBGE. Durante essa experiência, tive a oportunidade de conhecer moradores, visitar residências e entrar em contato com diferentes aspectos da realidade local.
Esse trabalho me permitiu enxergar Castelhanos para além de suas paisagens conhecidas. Por trás de cada casa, de cada caminho e de cada família, existem histórias, conhecimentos e modos de vida que merecem ser respeitados e valorizados.
Foi uma experiência importante para ampliar minha compreensão sobre a comunidade e sobre a responsabilidade de quem deseja apresentar esse território aos visitantes.
Saco do Eustáquio: convivência que vai além do turismo
Nos últimos anos, vivi uma experiência especialmente significativa na Praia do Saco do Eustáquio, onde trabalhei como bartender no quiosque do João.
Ali, minha relação com Ilhabela ganhou outra dimensão. Passei a conviver de perto com os moradores, participar da rotina da comunidade, ouvir histórias e compreender melhor os desafios de quem vive em um lugar onde o mar é, ao mesmo tempo, caminho, fonte de sustento e ligação com o restante da ilha.
No quiosque, entre conversas com visitantes e moradores, também tive a oportunidade de compartilhar histórias de Ilhabela e vivenciar um pouco da cultura caiçara no cotidiano.
Foi nesse ambiente que construí amizades com pessoas do Eustáquio e de outras comunidades tradicionais, como Serraria, Guanxumas e Búzios.
Essa convivência me mostrou que a verdadeira experiência de conhecer uma comunidade não acontece apenas durante uma parada rápida na praia. Ela se constrói com tempo, conversa, respeito e disposição para compreender a realidade de quem vive naquele território.
Os 500 quilos de gelo e a chegada da energia solar
Uma das lembranças que melhor representam minha convivência com o Saco do Eustáquio é a época em que ainda não havia energia elétrica na comunidade.
Para manter o quiosque funcionando e conservar os alimentos durante a semana, chegávamos a transportar cerca de 500 quilos de gelo no porão do barco do João. Era preciso planejar o abastecimento e organizar toda a rotina de acordo com as condições de transporte e armazenamento.
Quem chega hoje ao Eustáquio talvez não imagine o trabalho envolvido em tarefas que, em outros lugares, são simples. Mas eu acompanhei essa realidade de perto.
Também acompanhei a chegada das placas de energia solar, uma mudança importante no cotidiano da comunidade. Com essa estrutura, tornou-se possível contar com equipamentos como geladeira e televisão, transformando parte da rotina de quem vive e trabalha ali.
Para mim, essa lembrança representa muito mais do que uma mudança tecnológica. Ela mostra como a vida nas comunidades isoladas exige adaptação, conhecimento e esforço, e como melhorias na infraestrutura podem fazer diferença no dia a dia dos moradores.
São histórias como essa que dificilmente aparecem em um roteiro turístico convencional, mas que ajudam a compreender a verdadeira dimensão da vida caiçara.
É por isso que valorizo tanto a convivência com essas comunidades. Conhecer seus desafios, suas conquistas e suas tradições é uma forma de reconhecer a importância de quem mantém viva a identidade de Ilhabela.
Da fotografia ao turismo responsável
Minha principal atividade profissional é a fotografia, área em que trabalho desde 1996. Ao longo dessa trajetória, desenvolvi meu olhar para registrar pessoas, lugares, acontecimentos e histórias.
A fotografia me ensinou a observar detalhes, ouvir pessoas e compreender que cada lugar tem muito mais a revelar do que aquilo que aparece em uma primeira imagem.
Em 2026, iniciei uma nova etapa profissional com a Manconi Turismo, reunindo minha experiência de vida, meu conhecimento de Ilhabela e minha convivência com as comunidades locais para desenvolver experiências turísticas que valorizem tanto as belezas naturais quanto as pessoas que vivem na ilha.
Minha proposta é apresentar outras possibilidades de conhecer Ilhabela: passeios de barco, praias menos conhecidas, comunidades tradicionais, histórias locais e experiências que permitam ao visitante compreender melhor a relação entre o mar, a mata e a cultura caiçara.
Quero contribuir para um turismo que não se limite a levar pessoas a determinados lugares, mas que também estimule o respeito ao meio ambiente, a valorização cultural e o reconhecimento das comunidades que recebem os visitantes.
Uma forma diferente de conhecer Ilhabela
Acredito que existem muitas maneiras de conhecer um destino. É possível visitar suas praias, fotografar suas paisagens e fazer os passeios mais conhecidos. Tudo isso faz parte da experiência.
Mas também é possível ir além.
É possível ouvir a história de um pescador, conhecer os desafios da vida em uma comunidade isolada, compreender como a energia e os alimentos chegam a determinados lugares, descobrir tradições transmitidas entre gerações e perceber como a natureza influencia a vida de quem mora ali.
É essa dimensão humana que quero valorizar na Manconi Turismo.
Meu objetivo é aproximar visitantes de experiências autênticas, respeitando os limites de cada comunidade, a rotina dos moradores e as características naturais de cada lugar.
As experiências são planejadas de acordo com as possibilidades locais, com atenção à segurança, à preservação ambiental e ao respeito pelas pessoas que tornam cada destino especial.
Acredito que o turismo responsável pode proporcionar boas lembranças a quem visita e, ao mesmo tempo, fortalecer o reconhecimento da cultura e dos conhecimentos tradicionais.
Manconi Turismo: uma história que continua
Minha relação com Ilhabela começou na infância, passou pelos ensinamentos do meu pai, pelas experiências de mergulho, pelas viagens, pela fotografia e pelas amizades construídas ao longo dos anos.
Hoje, essa história ganha um novo capítulo com a Manconi Turismo.
Não quero apenas apresentar praias bonitas. Quero compartilhar um pouco do conhecimento que adquiri, das histórias que ouvi e das experiências que vivi, sempre reconhecendo que Ilhabela é muito mais do que um destino turístico: é o território de pessoas, comunidades, tradições e memórias que merecem ser valorizadas.
Cada passeio pode ser uma oportunidade de descobrir uma paisagem, mas também de compreender uma história. Cada encontro pode revelar um conhecimento. E cada experiência pode contribuir para uma relação mais consciente entre visitantes, natureza e comunidades locais.
É com esse propósito que começo esta jornada no turismo, levando comigo as lembranças de uma vida ligada à ilha e o desejo de contribuir para que outras pessoas também conheçam sua essência.
Manconi Turismo — Ilhabela vivida, sentida e compartilhada.
Mais do que mostrar caminhos, quero compartilhar histórias, valorizar as comunidades e ajudar você a descobrir uma Ilhabela que vai muito além das paisagens.